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Ao longo dos meus 10 anos de experiência como professora de geografia, sempre busquei maneiras de tornar minhas aulas mais dinâmicas e envolventes.
Aliás, este blog nasceu dessa minha busca por novas maneiras de ensinar. Na internet não se encontrava tantas possibilidades, por essa razão fiz pós-graduação em metodologias de ensino e sigo tentando inovar. E olha, tem dado muito certo.
Com o avanço da tecnologia, descobri nos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) uma ferramenta para auxiliar o ensino da geografia, permitindo que os alunos compreendam melhor a relação entre espaço e sociedade.
Se você ainda não utiliza o SIG em suas aulas, eu vou te te mostrar como ele pode transformar a forma como seus alunos percebem o espaço geográfico.
Além disso, trarei um embasamento teórico com o pesquisador brasileiro Milton Santos, que sempre destacou a importância da técnica e da tecnologia na análise geográfica, e apresentarei dados que reforçam a relevância dessa ferramenta na educação.
O Que São os Sistemas de Informação Geográfica (SIG)?
Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são plataformas digitais que permitem a coleta, armazenamento, análise e visualização de dados espaciais. Em outras palavras, são ferramentas que ajudam a interpretar o espaço geográfico por meio de mapas interativos, imagens de satélite e bancos de dados.
Entre os softwares mais conhecidos, destaco:
- QGIS (open-source e gratuito)
- ArcGIS (versão paga, muito utilizada no mercado)
- Google Earth e Google My Maps (mais acessíveis para o ensino básico)
Esses sistemas possibilitam que os alunos analisem fenômenos como desmatamento, urbanização, impactos ambientais e até mesmo mudanças climáticas, tudo com base em dados reais.
A Importância do SIG no Ensino de Geografia
Como professora, percebo que um dos desafios do ensino de geografia é fazer com que os alunos consigam visualizar e compreender os processos espaciais.
Muitas vezes, os mapas tradicionais não são suficientes para demonstrar toda a complexidade dos fenômenos geográficos.
Foi exatamente isso que me fez buscar o uso do SIG em sala de aula. Lembro-me de uma experiência marcante quando, em uma turma do ensino médio, os alunos tinham dificuldades para entender o processo de expansão urbana e seus impactos ambientais.
Resolvi, então, utilizar imagens de satélite no Google Earth para comparar a ocupação de uma área específica da cidade ao longo das décadas.
Quando os alunos viram como as áreas verdes haviam sido substituídas por construções, imediatamente começaram a questionar o impacto disso na drenagem da água, na temperatura local e na qualidade de vida da população.
Essa experiência me mostrou que o SIG não é uma ferramenta muito interessante para tornar o aprendizado mais concreto.
Milton Santos e seus Conceitos sobre Técnica e Tecnologia
O geógrafo brasileiro Milton Santos defendia que a análise espacial não pode ser feita apenas com base na descrição dos fenômenos, mas deve considerar também os aspectos técnicos e tecnológicos que influenciam o espaço.
Em sua obra, ele destaca a importância do que chama de "técnica" na construção do espaço geográfico, o que reforça a necessidade de utilizar ferramentas como os SIGs para uma compreensão mais profunda do território.
Segundo Santos, a geografia deve ser crítica e ativa, ajudando os alunos a enxergar as relações de poder, produção e transformação do espaço.
O uso do SIG permite que essa abordagem aconteça de forma prática, pois possibilita a análise de dados reais sobre questões socioespaciais, tornando o aprendizado muito mais significativo.
Dados Estatísticos Sobre o Uso de SIG na Educação
O uso de SIGs na educação tem sido cada vez mais incentivado. De acordo com um estudo publicado pela International Society for Photogrammetry and Remote Sensing (ISPRS), o uso de tecnologias geoespaciais, como o SIG, melhora a compreensão dos alunos em até 35% quando comparado a métodos tradicionais de ensino.
Além disso, uma pesquisa da National Center for Research in Geography Education (NCRGE) mostrou que 80% dos estudantes que tiveram contato com SIGs demonstraram maior interesse por temas geográficos e ambientais.
No Brasil, o uso dessa tecnologia ainda é um desafio, especialmente pela falta de formação específica para professores.
No entanto, cada vez mais escolas e universidades estão incorporando o SIG em seus currículos, o que reforça a necessidade de os educadores se capacitarem para utilizar essa ferramenta.
Como Aplicar o SIG nas Aulas de Geografia?
Se você deseja começar a utilizar os Sistemas de Informação Geográfica em suas aulas, aqui estão algumas sugestões práticas:
1. Mapas Interativos no Google Earth
Uma forma simples de introduzir o SIG é utilizando o Google Earth. Com ele, os alunos podem visualizar mapas em 3D, explorar diferentes regiões do mundo e analisar mudanças no espaço ao longo do tempo.
2. Projetos de Mapeamento no QGIS
Se sua escola tem recursos computacionais, vale a pena explorar o QGIS, um software gratuito que permite criar mapas temáticos. Você pode, por exemplo, pedir para os alunos mapearem áreas de risco de enchentes ou deslizamentos de terra na cidade onde moram.
3. Análise de Desmatamento na Amazônia
Com imagens de satélite disponíveis em plataformas como o MapBiomas, os alunos podem analisar o avanço do desmatamento na Amazônia, comparando dados históricos e identificando padrões.
4. Atividades Baseadas em SIGs Online
Existem diversas plataformas gratuitas que oferecem dados geoespaciais para análise. O site ArcGIS Online, por exemplo, disponibiliza mapas prontos que podem ser explorados diretamente no navegador.
Considerações Finais
O uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) no ensino de geografia é uma forma inovadora e eficiente de tornar as aulas mais dinâmicas e interativas.
Com essas ferramentas, os alunos deixam de ser apenas receptores de conhecimento e passam a investigar, analisar e interpretar o espaço de maneira ativa.
Se você é professor e ainda não utiliza o SIG em suas aulas, minha dica é: comece aos poucos!
Experimente com o Google Earth, explore mapas interativos e vá introduzindo novas ferramentas conforme se sentir confortável.
Se este artigo foi útil para você, compartilhe com outros professores de geografia! Juntos, podemos transformar a forma como a disciplina é ensinada.
Gratidão!
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Professora Camila Teles