Oi, professor (a)! Tudo bem com você? Professora Camila aqui. Nos últimos meses, tenho escutado muitos colegas dizendo a mesma coisa: “Meus alunos estão usando inteligência artificial para tudo.”
E, de fato, é o que está acontecendo em muitas salas de aula. Redações feitas em segundos, trabalhos escolares com respostas impecáveis, resumos gerados sem leitura... e, no meio disso tudo, nós, professores, tentando entender até onde vai o limite entre o uso saudável e a dependência total.
O problema não está na ferramenta em si. O problema é quando o aluno usa a IA sem qualquer mediação ou consciência — como se fosse uma "muleta" para tudo.
Quando isso acontece, ele deixa de exercitar habilidades essenciais como pensamento crítico, criatividade, construção do próprio raciocínio e autonomia.
O que me preocupa de verdade é que, se esse uso continuar sem orientação, muitos estudantes vão se acostumar com a ideia de que basta pedir algo pronto — e que não é necessário refletir, escrever, revisar ou nem mesmo entender o conteúdo.
Isso pode até parecer inofensivo no início, mas, a longo prazo, forma alunos que não sabem argumentar, não sabem estruturar uma ideia e, pior, não conseguem caminhar sozinhos.
Neste texto, quero conversar com você sobre os riscos desse uso desmedido e trazer reflexões e caminhos possíveis para transformar a IA em uma aliada real do processo de aprendizagem — e não em mais uma distração ou atalho perigoso.
Afinal de contas, na prova do ENEM ou qualquer outra avaliação que o aluno venha a enfrentar na vida, não vai ter IA para consultar. Vamos falar sobre isso?
O que os alunos estão fazendo com a IA?
Se tem algo que está cada vez mais presente na fala dos alunos é: “Posso pedir isso para o ChatGPT.” E não estão falando só por falar.
A verdade é que muitos estudantes já incorporaram a inteligência artificial no dia a dia de forma intensa — e, em muitos casos, sem qualquer filtro ou consciência crítica.
Eles usam para tudo: gerar resumos, montar apresentações, responder questionários e, o mais comum, fazer redações completas sem escrever uma linha sequer.
Em segundos, têm uma resposta pronta, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Para quem está com pressa ou não quer se esforçar, é tentador. E como professora, sei o quanto isso pode comprometer o processo de aprendizagem.
Já recebi trabalhos tão “perfeitos” que não faziam o menor sentido com o que foi tratado em sala. Já peguei respostas idênticas entre alunos de turmas diferentes.
E o mais preocupante: muitos não veem problema nisso. Acreditam que, se está pronto e bem escrito, então está certo. Só que não está.
Essa dependência pode parecer inofensiva agora, mas está corroendo uma habilidade essencial para o futuro desses alunos: o pensamento crítico.
Se eles se acostumam a terceirizar toda construção de ideia, como vão desenvolver argumentação, criatividade e capacidade de análise? Como vão se virar em provas, redações e entrevistas onde não há IA para consultar?
Vou aproveitar para compartilhar algo que aconteceu aqui em casa. Meu filho está no 9º ano do fundamental II e, outro dia, me contou que a professora de Geografia levou a turma para fazer uma prova online no Google Forms — e autorizou o uso de inteligência artificial.
Resultado? Todos tiraram nota 10. Claro que fui até a escola para conversar, mas essa é uma pauta que deixo para outro momento. Hoje, quero só dividir esse exemplo com você que está lendo e gostando dos meus textos. Aproveitando eu tenho um texto aqui, onde eu divido a minha experiência com o uso de IA na minha prática docente, leia abaixo:
Como eu uso IA na minha prática docente
A IA não pode ser proibida, ignorada ou demonizada. Mas também não pode ser entregue aos alunos sem orientação. Se não estivermos atentos, essa facilidade toda vai gerar uma geração que não pensa — apenas copia e cola. E isso não combina com o que desejamos como educadores.
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Alunos que usam inteligência artificial sem critério podem perder o mais importante: aprender de verdade
Uma das armadilhas mais perigosas do uso da inteligência artificial pelos alunos é a falsa sensação de competência.
Isso acontece quando o estudante entrega um trabalho impecável, escreve uma redação nota 10 ou responde a uma pergunta com palavras bonitas — mas sem ter passado pelo processo real de construção daquele conhecimento. Ele não aprendeu, apenas usou bem uma ferramenta.
A IA entrega respostas prontas, organizadas e até convincentes. Só que, se o aluno não refletiu, não escreveu, não errou e não revisou, ele não passou pela aprendizagem de verdade.
E isso, como educadora, me preocupa muito. Porque a aprendizagem acontece justamente no esforço, na dúvida, na tentativa e na correção. Quando tudo vem pronto, esse ciclo se quebra.
Vejo muitos alunos que acham que sabem — mas, quando precisam explicar com as próprias palavras, travam.
Isso porque o conhecimento não foi internalizado, foi apenas reproduzido. E aí, quando chegam provas dissertativas, apresentações orais, vestibulares ou até mesmo a vida profissional, essa falta de autonomia e pensamento crítico aparece com força.
É por isso que, mais do que proibir, eu acredito que nosso papel é ensinar a usar ia com consciência. A inteligência artificial pode, sim, ser uma aliada — mas precisa de mediação.
Cabe a nós criar espaços para discutir com os alunos o que significa aprender, o que é ética no uso da tecnologia e como usar essas ferramentas de forma intencional, e não automática.
Já propus rodas de conversa sobre o uso de IA na escola, e os alunos surpreenderam. Eles sabem mais do que imaginamos — mas também têm dúvidas, sentem culpa ou simplesmente seguem o fluxo porque ninguém nunca parou para conversar com eles sobre isso.
Projetos interdisciplinares também ajudam: que tal propor uma atividade onde eles comparam uma redação feita por IA com uma escrita por eles mesmos e analisem os prós e contras de cada uma?
Outra estratégia que já usei foi pedir que os alunos apresentassem um trabalho explicando quais partes usaram IA, o que adaptaram e o que escreveram sozinhos. Isso muda completamente a postura deles em relação ao conteúdo.
A tecnologia está aí, e nossos alunos já a usam. A pergunta é: como vamos conduzi-los para que essa relação com a IA gere crescimento e não apenas resultados vazios? A resposta passa, sempre, pela nossa mediação crítica, técnica e reflexiva.
Como transformar a inteligência artificial em ferramenta de aprendizagem (e não de fuga)
Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo dos últimos anos é que a inteligência artificial na educação pode ser uma grande aliada — desde que seja usada com intenção e propósito. O problema não está em permitir o uso, mas em não ensinar como usá-la de forma inteligente.
Vejo muitos alunos usando IA apenas para "fugir" da tarefa. Eles colocam o comando, recebem o texto pronto e entregam sem nem ler. E o pior: acham que aprenderam. Mas aprender mesmo é outra história.
Por isso, sempre que percebo que os alunos estão usando IA, eu chamo para conversa. Explico que a IA pode, sim, ajudar — mas que ela não pode pensar por eles. Gosto de mostrar que o papel da ferramenta é apoiar, e não substituir.
Já tive um caso em que pedi aos alunos que escrevessem uma redação sobre consumo consciente. Um dos meninos entregou um texto impecável. Quando perguntei se ele havia escrito tudo, ele confessou que usou IA.
Ao invés de repreender, propus um desafio: “Vamos pegar esse texto e transformá-lo em algo com a sua cara?” Trabalhamos juntos. Ele revisou, reorganizou parágrafos, trocou palavras por outras mais próximas do seu vocabulário e adicionou um exemplo pessoal. No final, o texto era dele — com o apoio da IA, não feito por ela.
A partir disso, comecei a usar esse exemplo como base para trabalhar com outras turmas. Criei alguns critérios simples para avaliar atividades feitas com o apoio da IA, como:
- O aluno leu e entendeu o que foi gerado?
- Houve adaptação ou revisão pessoal?
- O conteúdo foi complementado com reflexões próprias, vivências ou linguagem compatível?
- Ele saberia explicar com suas palavras o que está escrito ali?
Esses critérios me ajudam a diferenciar o uso inteligente do uso superficial. E, ao compartilhá-los com os alunos, eles começam a entender que usar IA não é um atalho, mas uma etapa de apoio ao processo de criação.
O segredo está em mostrar que a tecnologia pode ajudar a organizar ideias, revisar textos, sugerir caminhos. Mas a última palavra precisa ser deles. O pensamento precisa ser deles. O aprendizado só acontece quando há envolvimento real — e isso só quem pode garantir somos nós, professores.
Conclusão
Se você chegou até aqui, provavelmente também se preocupa com os rumos que a inteligência artificial está tomando dentro da sala de aula. E eu entendo.
Não é fácil encontrar o equilíbrio entre permitir, orientar e manter o foco pedagógico. Mas uma coisa precisa ficar clara: a IA não é o vilão da história.
O problema está no uso inconsciente, automático, sem reflexão — e isso pode (e deve) ser transformado.
Proibir o uso da IA pode parecer a solução mais simples, mas, na prática, só empurra o problema para debaixo do tapete.
Os alunos já estão usando essas ferramentas — a pergunta é: eles sabem usar bem? Cabe a nós, professores, conduzir esse processo com ética, clareza e intencionalidade. Mostrar que pensar ainda é importante. Que errar faz parte. Que o conhecimento precisa ser construído, e não apenas copiado.
Minha sugestão é: em vez de barrar a tecnologia, ensine a utilizá-la.
E se você quer aprender, de forma prática, ética e voltada para a realidade da sala de aula, como usar a inteligência artificial no seu dia a dia como professora, eu te convido a conhecer o curso Inteligência Artificial para Professores.
Este curso foi pensado exclusivamente para professores que desejam inovar com segurança, economizar tempo e engajar seus alunos com criatividade e consciência. Você não precisa entender de tecnologia — só precisa estar disposta a dar o primeiro passo.
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Gratidão!
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Professora Camila Teles