Oi, professor! Tudo bem com você? Professora Camila aqui. Se tem uma parte da nossa rotina que exige energia, tempo e jogo de cintura é o planejamento de aulas.
Quem está em sala de aula sabe: planejar não é só preencher um papel. É pensar em cada detalhe, adaptar conteúdos, prever dificuldades, buscar recursos, montar atividades, revisar a BNCC, imaginar o tempo de cada etapa...
E tudo isso, muitas vezes, é feito no final de semana, à noite, ou depois de um dia exaustivo de trabalho.
Quantas vezes você já passou horas procurando uma ideia nova para começar uma aula? Ou perdeu tempo tentando encontrar uma atividade que fizesse sentido com o conteúdo, mas também com o perfil da sua turma? Eu sei como é — porque já vivi (e ainda vivo) isso também.
E o pior: muitos professores ainda nem sabem que podem contar com a inteligência artificial como uma aliada nessa etapa tão exigente. Ainda existe muito medo, desconfiança e aquela sensação de “isso não é pra mim”. Mas a verdade é que a IA está aí para nos apoiar — e não para nos substituir.
Por isso, neste texto, eu vou te mostrar 7 formas reais, práticas e simples de usar a inteligência artificial para facilitar o seu planejamento de aulas. Não precisa ser especialista em tecnologia. Só precisa estar disposto a testar e adaptar ao seu jeito de ensinar. Vamos começar!
1 Planejando com base na BNCC usando inteligência artificial
Sempre que falo sobre inteligência artificial com professores, uma das primeiras dúvidas que surgem é: “Mas isso segue a BNCC?”. E
essa pergunta faz todo sentido. Afinal, não adianta criar aulas mirabolantes se elas não estiverem alinhadas às competências e habilidades previstas no nosso currículo oficial. A boa notícia é que sim — a IA pode ser uma aliada também nesse ponto.
Eu mesma já escrevi um post aqui no blog chamado “Como Usar Inteligência Artificial sem fugir da BNCC”, em que aprofundo esse tema.
Mas neste artigo, quero focar em como a IA pode facilitar o alinhamento dos seus planejamentos à BNCC, especialmente para quem sente dificuldade de interpretar os códigos, selecionar os objetivos certos ou fazer a conexão entre conteúdo e habilidade.
No início da minha carreira, montar um plano de aula com base na BNCC era uma tarefa demorada. Eu perdia horas lendo e relendo os códigos, tentando entender qual habilidade combinava com o que eu queria ensinar. Aliás, eu sou do tempo dos PCNs. Se você como eu tem mais de 40 anos, sabe muito bem sobre o que eu estou falando.
Mas, em fim, as vezes eu acertava, outras vezes me sentia completamente perdida. E, com a correria da rotina, acabava deixando esse alinhamento mais “solto”, o que me deixava insegura.
Foi aí que, ao começar a usar inteligência artificial no meu planejamento, descobri que ela também pode ajudar a encontrar objetivos compatíveis com o tema da aula e com o ano escolar. Basta fazer uma solicitação clara e objetiva, como:
“Sugira habilidades da BNCC para uma aula de Geografia no 6º ano sobre paisagens naturais.”
O resultado vem com sugestões bem organizadas, com o código da habilidade e sua descrição. Isso me ajuda a ganhar tempo e a montar um plano mais estruturado, dentro das diretrizes que a escola exige — sem precisar ficar vasculhando documentos enormes.
Claro que nem sempre o que a IA traz está 100% pronto para uso. Eu sempre confiro no site oficial da BNCC se o código está atualizado e se a habilidade realmente se conecta com os objetivos da minha aula. A IA entrega o caminho, mas o olhar pedagógico continua sendo nosso.
Outro ponto que gosto de destacar é que a IA pode sugerir sequências de aulas baseadas em progressão de habilidades. Por exemplo, se estou trabalhando o conteúdo de cartografia, posso pedir à IA uma sequência de três ou quatro aulas com habilidades da BNCC que se complementem. Isso ajuda muito na organização do planejamento bimestral ou mensal.
Já usei também a IA para adaptar uma aula quando precisei cobrir outra disciplina. Pedi sugestões de habilidades de História para uma aula de reforço no 7º ano e consegui montar uma proposta que seguiu a base curricular, mesmo sem ser minha área principal de formação. Isso me deu segurança para entrar em sala e oferecer um conteúdo alinhado e coerente.
Além disso, o uso da IA pode ser útil em reuniões pedagógicas, quando precisamos justificar nossas escolhas didáticas para a coordenação.
Já levei planejamentos feitos com o apoio da IA que mostravam, de forma clara, quais habilidades da BNCC estavam sendo trabalhadas em cada etapa. E isso foi muito bem recebido pela equipe.
A minha dica é: use a IA como apoio para encontrar os códigos certos, entender o que está por trás de cada habilidade e pensar atividades que realmente desenvolvam aquilo que o currículo propõe.
Não é sobre decorar a BNCC — é sobre usar as ferramentas que temos hoje para tornar esse processo mais leve, eficiente e alinhado com as exigências da nossa prática docente.
2 Ideias de atividades práticas, lúdicas e interdisciplinares com ajuda da IA
Outra coisa que já me prendeu horas em frente ao computador foi a busca por atividades criativas para os meus alunos. Às vezes a gente tem o conteúdo na mão, sabe exatamente o que precisa ensinar, mas bate aquele branco.
Você abre um monte de sites, consulta livros antigos, pergunta para colegas e, mesmo assim, parece que nada se encaixa. Já passei por isso muitas vezes.
Uma das formas que mais tenho usado a inteligência artificial no meu planejamento é justamente para sair desse bloqueio.
Quando estou sem ideias, recorro à IA como se fosse uma parceira de brainstorming. E funciona. Basta fazer uma solicitação clara, dizendo o tema da aula, o ano escolar e o tipo de abordagem que eu quero, e em poucos segundos recebo uma lista de sugestões.
Por exemplo, já pedi sugestões de atividades lúdicas sobre erosão para o 6º ano. A IA me trouxe ideias como experimento com terra, simulação em maquete e até uma proposta de vídeo com análise crítica.
Em outro momento, pedi algo interdisciplinar entre Geografia e Ciências para falar sobre recursos naturais e vieram propostas que envolviam desde jogos até debate com construção de painel coletivo. Claro que nem tudo uso como está. Algumas sugestões eu adapto, outras descarto. Mas só o fato de ter por onde começar já me economiza um tempo precioso.
Também costumo pedir atividades práticas com diferentes níveis de complexidade, principalmente quando tenho turmas heterogêneas.
A IA pode sugerir uma mesma atividade com três variações: para alunos que precisam de apoio, para os que estão no nível esperado e para os que podem avançar mais.
Isso me ajuda a pensar no planejamento com mais intencionalidade, sem cair na mesmice de copiar e colar fichas prontas da internet.
Outra vantagem é poder solicitar ideias baseadas em metodologias específicas. Já pedi sugestões de atividades com base em sala de aula invertida, aprendizagem baseada em projetos e até gamificação. A IA consegue estruturar a proposta de acordo com a metodologia, o que me ajuda a visualizar melhor como aplicar com a minha turma.
O mais interessante é que, com o tempo, fui percebendo que essa geração de ideias pela IA também me inspira a criar as minhas próprias.
Às vezes, uma sugestão trazida por ela me faz lembrar de uma atividade que usei anos atrás e que poderia funcionar novamente com alguns ajustes. Outras vezes, uma proposta que parecia fora do contexto se transforma em algo super útil quando adaptada à minha realidade.
Então, se você costuma travar na hora de pensar nas atividades da semana ou sente que está sempre fazendo as mesmas coisas, experimente usar a IA como ponto de partida.
Ela não precisa decidir por você, mas pode te dar aquela luz inicial que faz toda a diferença na hora de planejar com criatividade e propósito.
3 Adaptação de conteúdos para alunos com necessidades específicas
Uma das partes mais desafiadoras do planejamento de aulas é pensar em estratégias que realmente contemplem todos os alunos.
Quando temos estudantes com deficiência, transtornos de aprendizagem, dificuldades temporárias ou até mesmo alunos em processo de alfabetização em outra língua, como é o caso de imigrantes, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso.
E isso, infelizmente, nem sempre vem com preparo suficiente na formação inicial.
Na prática, a gente se vê buscando formas de adaptar o conteúdo, sem saber ao certo se está fazendo da forma correta, se está excluindo ainda mais ou se está facilitando de verdade o acesso à aprendizagem.
Já me vi muitas vezes perdida tentando reescrever um texto em linguagem mais simples, adaptar uma atividade longa ou encontrar imagens que realmente ajudassem no entendimento daquele aluno que precisava de mais apoio visual.
Foi justamente nesse ponto que a inteligência artificial começou a me ajudar de verdade. Descobri que posso usar a IA para adaptar conteúdos de forma muito mais rápida e eficiente. E o melhor: consigo fazer isso respeitando o nível de cada aluno e o objetivo pedagógico da aula.
Por exemplo, quando preciso adaptar um conteúdo teórico para um aluno com deficiência intelectual ou com transtorno do espectro autista, uso a IA para reescrever o texto em linguagem simples.
Faço um pedido direto, algo como: reescreva esse parágrafo em linguagem acessível para alunos com dificuldades de leitura no ensino fundamental. O retorno é imediato, e muitas vezes me surpreende pela clareza e pela forma como mantém o sentido original.
Também uso a IA para aplicar uma técnica que aprendi com Treinamentos já fiz sobre AEE. Por exemplo, peço a à IA que transforme uma atividade com dez perguntas em uma com três ou quatro, mantendo o mesmo objetivo.
Isso é ótimo para alunos com laudo que têm direito a atividades adaptadas, e também para aqueles que se sentem facilmente sobrecarregados com tarefas longas.
Também diminuo o número de alternativas, saio de 4 ou 5 para apenas 3 alternativas. Se o aluno tem a competência leitora desenvolvida, fica maravilhoso!
Outra forma que encontrei de usar a IA a favor da inclusão foi com a criação de imagens. Em atividades de pareamento, por exemplo, onde o aluno precisa ligar imagens aos nomes ou aos conceitos, costumo usar ferramentas de IA para gerar imagens personalizadas com base no tema da aula.
Já usei isso em conteúdos de Geografia, como tipos de relevo, formas de vegetação ou objetos do cotidiano em diferentes espaços urbanos e rurais. Isso me permite criar atividades mais visuais, que ajudam bastante alunos com deficiência intelectual, autismo ou dificuldades na linguagem escrita.
Além disso, gosto de usar a IA para montar instruções mais claras. Às vezes, a forma como escrevemos a orientação da atividade já é um obstáculo.
Com a IA, posso pedir que reescreva a instrução de livros didáticos complexos para uma estrutura mais direta, sem palavras difíceis ou construções complexas. Isso facilita muito para alunos com dislexia ou TDAH, por exemplo, que podem ter dificuldade em compreender comandos muito longos ou vagos.
Com o tempo, fui percebendo que a IA não entrega a solução completa, mas me oferece um ponto de partida que economiza tempo e amplia minhas opções. E isso, quando estamos lidando com necessidades específicas, faz toda a diferença.
4 Incorporando metodologias ativas com sugestões da IA
Falar em inovação no planejamento de aulas passa, necessariamente, por refletir sobre metodologias ativas.
E se você está começando agora na docência ou ainda se sente inseguro para aplicar esse tipo de abordagem, eu te entendo. Lá no início da minha carreira, eu também achava que metodologias ativas eram algo distante da realidade da escola pública, ou algo restrito a professores com mais tempo e recursos.
Com o tempo, percebi que não se trata de aplicar grandes projetos ou fazer revoluções em sala. Metodologias ativas são, na prática, estratégias que colocam o aluno no centro da aprendizagem.
E o melhor: é possível começar com pequenas mudanças, inserindo uma proposta aqui, outra ali, de forma gradual e realista. Aqui no blog, inclusive, eu já escrevi um artigo mais completo sobre metodologias ativas, com exemplos e sugestões práticas. Depois você pode conferir, vou deixar o link abaixo:
Metodologias Ativas; tudo ou quase tudo que um professor precisa saber
Mas o que isso tem a ver com inteligência artificial? Muita coisa. A IA pode te ajudar a incorporar metodologias ativas ao seu planejamento de forma mais leve, principalmente se você ainda não domina bem o assunto ou não sabe por onde começar.
Quando quero usar uma abordagem diferente, costumo pedir à IA ideias de atividades que sigam determinada metodologia.
Por exemplo, posso solicitar: crie uma proposta de aula de Geografia com base na aprendizagem baseada em projetos para o 8º ano. Em segundos, recebo uma estrutura com tema, etapas, objetivos e sugestão de produto final. Já fiz isso também com sala de aula invertida, ensino híbrido e gamificação.
A IA me ajuda a pensar em caminhos diferentes para abordar o mesmo conteúdo. Em vez de uma aula expositiva sobre o ciclo da água, por exemplo, posso pedir uma sugestão de gamificação sobre o tema.
Já recebi ideias como jogos de tabuleiro, quizzes em dupla e até uma missão investigativa em grupo.
É claro que eu sempre adapto essas sugestões à minha turma, ao tempo que tenho disponível e aos recursos que posso usar. Mas ter essa base pronta me economiza um tempo enorme e ainda abre espaço para a criatividade.
Outro uso interessante da IA é na personalização da metodologia. Às vezes, quero usar sala de aula invertida, mas sei que minha turma tem pouco acesso à internet.
Então peço à IA sugestões de como adaptar essa metodologia para alunos com acesso limitado a tecnologia. A resposta costuma vir com ideias simples, como o uso de material impresso, vídeos curtos exibidos em sala ou atividades de retomada mais dirigidas.
Também já pedi ajuda à IA para elaborar roteiros de aula baseados em metodologias ativas, com divisão por etapas e tempos estimados. Isso me ajuda a organizar melhor o planejamento, controlar o tempo e visualizar como a aula vai se desenrolar. É como se eu tivesse um esboço inicial, que depois ajusto com meu toque pessoal.
Se você tem vontade de usar metodologias ativas, mas não sabe por onde começar, experimente usar a IA como parceira nesse processo.
Faça pedidos específicos, diga a série, o tema e a abordagem desejada. Aos poucos, você vai ganhando repertório e confiança para aplicar essas estratégias de forma mais natural.
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Professora Camila Teles