A estrutura geológica de Maceió, em Alagoas, é marcada por depósitos sedimentares costeiros que incluem uma variedade de rochas, como arenito, argilito e calcário.
No entanto, é a presença de sal-gema que chama a atenção, tanto pelo seu impacto econômico quanto pelos problemas geotécnicos que sua exploração tem causado.
A mineração desse recurso, autorizada desde a década de 1970, se tornou uma ameaça significativa à estabilidade do solo e à segurança da população.
Como a Extração de Sal-Gema Afeta o Solo de Maceió?
A extração do sal-gema resulta em grandes sulcus ou ravinas subterrâneas. Com o tempo, essas cavidades podem causar instabilidades, como afundamentos e rachaduras no solo.
Em Maceió, esses efeitos começaram a ser sentidos com maior intensidade em 2018, no bairro do Pinheiro, onde rachaduras e tremores de terra foram registrados.
Estudos do Serviço Geológico do Brasil confirmaram que a mineração era a principal responsável pela instabilidade geológica da região.
A técnica utilizada para a extração de sal-gema também influencia os riscos. Métodos como a dissolução em água alteram significativamente as pressões subterrâneas, contribuindo para tremores e eventuais colapsos do solo.
Além disso, a proximidade dessas operações com áreas densamente povoadas aumenta o impacto social e econômico dos problemas geotécnicos.
O Alerta Máximo e as Medidas Adotadas para Mitigar o Afundamento do Solo
Em novembro de 2023, a Defesa Civil de Maceió emitiu um alerta máximo sobre a possibilidade de colapso na Mina 18, localizada próxima à Lagoa Mundaú.
O risco de formação de uma cratera gigante levou à evacuação de bairros inteiros, afetando milhares de famílias.
A empresa responsável, Braskem, afirmou que 70% das minas já foram fechadas, mas o avanço dos trabalhos foi temporariamente interrompido devido ao aumento de registros sísmicos.
A evacuação de mais de 14 mil imóveis trouxe impactos sociais significativos. Enquanto um programa de compensação financeira busca minimizar os danos às comunidades, a realocação das famílias afetadas ainda apresenta desafios logísticos e emocionais.
Qual o papel do Poder Público frente a problemática da Extração de Sal-Gema
Diante desse cenário crítico, fica evidente a necessidade de maior transparência e planejamento por parte das autoridades e da empresa envolvida.
A ausência de informações claras e de políticas de contingenciamento eficazes agrava a desconfiança da população.
Apesar dos esforços de monitoramento e fechamento das minas, a falta de uma comunicação assertiva sobre os riscos e as ações de mitigação compromete a confiança nas medidas tomadas.
Além disso, a ausência de políticas públicas abrangentes para lidar com os impactos sociais e econômicos reforça a necessidade de uma abordagem mais colaborativa e responsável.
A situação exige que o poder público vá além de ações emergenciais, implementando soluções de longo prazo que assegurem a segurança da população e a preservação ambiental.
O Futuro de Maceió Frente à Instabilidade Geológica
Maceió enfrenta um dos maiores desafios geológicos de sua história. A crise provocada pela exploração de sal-gema demanda uma abordagem integrada entre especialistas, autoridades e empresas para mitigar os riscos e proteger a população.
É fundamental que o poder público priorize políticas de contingenciamento e esclarecimento, garantindo transparência e agilidade na tomada de decisões.
Essa situação reforça a importância do planejamento responsável e da fiscalização rigorosa em atividades mineradoras.
Somente com uma atuação conjunta e transparente será possível superar os impactos dessa exploração e assegurar o futuro seguro das comunidades afetadas.
Enquanto isso eu me pergunto: E o que fazer com quatorze mil imóveis que foram afetados?
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Professora Camila Teles