Como Elaborar Uma Excursão Escolar de Sucesso


Sabe aquela sensação de estar preso dentro de quatro paredes, olhando para um livro e tentando imaginar como tudo aquilo funciona no mundo real? Pois é, os alunos também sentem isso. 

É aí que entra o papel de uma excursão escolar. Quando eu falo em excursão, não estou me referindo apenas a um passeio qualquer. Estou falando de criar experiências que conectem o que é estudado na sala de aula com o mundo lá fora. E, olha, isso tem um impacto que vai muito além de uma simples mudança de ambiente.

Eu sempre acreditei que a escola precisa proporcionar momentos em que o aluno vivencie o conteúdo de forma prática, e as excursões são uma forma de fazer isso. Imagine ensinar geografia falando sobre formação de relevo e, no dia seguinte, levar os alunos para explorar uma área com diferentes tipos de solo e rochas. 

É outra coisa, né? Eles olham para o conteúdo com outros olhos, e isso é ciência na prática, aprendizado no melhor estilo mão na massa.

Agora, deixa eu te explicar melhor. Para Paulo Freire, a educação deve ser um ato transformador e conectado com a realidade do aluno. Quando você tira o estudante do espaço físico da escola e o coloca em contato com o mundo real, você não só está transformando o ensino, mas também está possibilitando que ele crie um sentido prático para o que aprende. Aquele "ah, é assim que funciona!" que eles têm durante uma excursão não tem preço.

E tem mais: as excursões ajudam a desenvolver habilidades socioemocionais, trabalhar em grupo, respeitar o espaço do outro e lidar com situações fora da rotina são coisas que não se aprendem apenas nos livros. 

Eu já levei alunos para visitas a parques, museus e até cooperativas de reciclagem, jardim botânico e em cada lugar vi como eles se conectavam de uma maneira positiva com os conteúdos e com o grupo. É aprendizado acadêmico e de vida junto, o famoso combo!

Por isso, se você é professor ou diretor de escola, não pense em excursão como um gasto ou uma perda de tempo. Ela é, na verdade, um investimento em experiências que os alunos vão carregar para a vida toda. 

Neste artigo vou te passar em detalhes um passo a passo simples mas efetivo para que a sua próxima excursão seja uma experiência marcante na vida dos seus alunos e como essa prática valoriza seu repertório como professor.

Como Definir o Destino da Excursão Escolar


Veja bem, organizar uma excursão escolar não é apenas decidir para onde ir e levar os alunos. É um processo que exige planejamento, propósito e uma conexão clara com o que eles estão aprendendo. 

E posso dizer isso com tranquilidade porque tenho uma vasta experiência em organizar passeios educativos. Já foram muitas excursões e cada uma delas foi cuidadosamente planejada para que os alunos pudessem aprender de forma prática e significativa.

Pensa comigo: qual o sentido de sair da escola se o destino escolhido não dialogar com o conteúdo estudado? Por isso, a primeira coisa que faço é olhar para o currículo, entender o que estamos trabalhando naquele momento e, claro, conferir as  habilidades previstas na BNCC. 

A Base Nacional Comum Curricular é o nosso guia. Ela nos ajuda a garantir que o passeio não seja apenas recreativo, mas também um momento de aprendizado na prática.

Se estamos falando, por exemplo, de geografia do 6º ao 9º ano, uma habilidade muito interessante é a (EF06GE01), que trata de analisar as transformações na paisagem ao longo do tempo, considerando fatores naturais e sociais.

Agora pensa comigo: um passeio para o Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo, não seria perfeito? Lá os alunos podem observar de perto a relação entre o relevo, a vegetação e as ações humanas. 



É um lugar rico para entender como as paisagens naturais e urbanas se conectam e se transformam. Além disso, o parque tem trilhas guiadas que oferecem explicações detalhadas, o que complementa o trabalho do professor.

E qual é o objetivo maior disso tudo? Não é só preencher uma grade horária ou cumprir uma exigência. O objetivo é fazer com que o aluno perceba que o que ele aprende na sala de aula faz parte do mundo real. 

Como Freire nos ensina, a educação precisa ser um ato de conscientização, e as excursões têm um papel fundamental nesse processo porque permitem vivenciar o conhecimento. Não é apenas estudar o relevo em um livro ou ver fotos, mas estar lá, sentir o ambiente, observar as diferenças e, o mais importante, refletir sobre o impacto humano naquela paisagem.

Agora, na hora de escolher o destino, é essencial que você pense nos alunos e no contexto da sua escola. Um passeio para o Parque Estadual da Serra do Mar pode ser perfeito para escolas na região de São Paulo, mas talvez para você faça mais sentido ir a um museu ou a um centro histórico.

 O que importa é que o lugar escolhido esteja atrelado ao conteúdo estudado e que proporcione momentos de descoberta e aprendizado ativo.

Eu sempre digo que uma excursão bem planejada transforma o aprendizado. Então, a dica aqui é: alinhe o destino às habilidades que você quer desenvolver nos alunos. A BNCC está cheia de pistas que ajudam nesse planejamento. 

Não tenha medo de ousar e explorar novos lugares com os seus alunos. 



Como Conduzir uma Excursão Escolar com Segurança

Veja bem, quando falamos em excursão escolar, logo pensamos nas possibilidades incríveis de aprendizado fora da sala de aula. Mas, pensa comigo: tudo isso só vale a pena se conseguimos garantir a segurança dos nossos alunos. Sem segurança, todo o objetivo do passeio se perde. 

Como já citei a excursão não é apenas escolher um destino "interessante", depende também de um planejamento detalhado para que tudo aconteça de forma tranquila e segura.

Eu já organizei muitas excursões escolares e aprendi, ao longo do tempo, que um protocolo de segurança bem estruturado é o ponto de partida para o sucesso. 

É preciso pensar em tudo: transporte, documentação, alimentação, supervisão e até mesmo como lidar com situações imprevistas. 

Quando vejo notícias de acidentes envolvendo passeios escolares, como o trágico caso de Ibitinga SP em que um ônibus com estudantes tombou e deixou várias vítimas, me lembro da importância de não deixar nada ao acaso. 

Esse acidente foi amplamente divulgado e nos serve como um lembrete de que não dá para improvisar quando o assunto é a segurança das crianças e adolescentes.

Pensa comigo: antes de qualquer coisa, é essencial escolher uma empresa de transporte confiável, com veículos em bom estado e motoristas experientes. Parece óbvio, mas não é raro encontrarmos situações em que escolas contratam serviços sem verificar documentação ou histórico da empresa. 

Sempre solicite o alvará da empresa de transporte, a habilitação do motorista e até mesmo um laudo sobre as condições do veículo. Acredite, isso pode fazer toda a diferença.

Além disso, é fundamental preparar uma lista com todos os participantes do passeio, incluindo contatos de emergência e informações médicas. 

Já aconteceu comigo de um aluno esquecer de avisar que tinha alergia a determinado alimento. Felizmente, estávamos atentos e conseguimos evitar problemas maiores, mas isso me ensinou a sempre pedir um formulário preenchido pelos pais ou responsáveis com essas informações.

Outra coisa que eu nunca deixo de fazer é realizar uma reunião prévia com a equipe escolar e os pais. Nessas reuniões, explico o itinerário, os horários e todas as medidas de segurança que serão adotadas. 

Isso tranquiliza os responsáveis e fortalece a parceria entre a escola e as famílias. Você concorda que essa transparência é fundamental?

Parece bobeira, mas é de extrema relevância verificar as condições atmosféricas no dia do passeio. Assim a escola passa a informação para os pais e os pais conseguem encaminhar as crianças com roupas e calçados adequados. 

No dia do passeio, a supervisão é prioridade. Divido os alunos em pequenos grupos e designo um adulto responsável por cada grupo. Isso facilita o controle e garante que ninguém fique perdido.

Outra dica importante é levar um kit de primeiros socorros, porque imprevistos podem acontecer. E, claro, manter o contato constante com a escola e com os pais, informando sobre o andamento da excursão.

Eu sei que pode parecer um pouco trabalhoso planejar tudo isso, mas, no final, vale muito a pena. A segurança é o que permite que os alunos aproveitem a experiência ao máximo, sem preocupação. Afinal, uma excursão deve ser lembrada como um momento de aprendizado e diversão, e não como um episódio traumático.



Como Elaborar uma Atividade Pedagógica Depois de um Passeio ou Excursão escolar

Quando organizamos uma excursão escolar, é comum ficarmos tão envolvidos com o planejamento do passeio que esquecemos de pensar no que vem depois. Mas veja bem, a experiência vivida pelos alunos não pode acabar no momento em que eles descem do ônibus. 

É justamente depois do passeio que temos a oportunidade ajudar nossos alunos a consolidarem o aprendizado adquirido na excursão. 

A pergunta que sempre faço a mim mesma é: como posso conectar o que vivemos na excursão com atividades práticas que realmente façam sentido para os alunos? Vou te explicar como faço isso.

Em 2023, levei minhas turmas de 8º ano para visitar uma fábrica de brinquedos na minha cidade. Estávamos estudando em sala de aula temas como revolução industrial, fordismo, taylorismo e toyotismo. Então elaborei uma sequencia didática dentro da abordagem de metodologias ativas

Foi uma experiência muito positiva, porque eles puderam ver de perto como funciona uma linha de produção, os processos repetitivos e a organização do trabalho em etapas. 

Só que, na volta para a escola, eu sabia que precisava fazer com que essa vivência ganhasse uma aplicação prática. Então, propus uma atividade que se tornasse memorável: montar nossa própria linha de produção.

Dividi os alunos em pequenos grupos e expliquei que íamos confeccionar máscaras de carnaval para toda a escola. Cada grupo teria uma função específica, simulando o funcionamento de uma fábrica tradicional. 

Um grupo ficou responsável por desenhar os modelos das máscaras, outro só recortava os moldes, um terceiro grupo colocava os elásticos para prender no rosto, outro fazia a decoração e os acabamentos estéticos, e, por fim, um grupo cuidava da distribuição. 

E o resultado foi muito positivo. Eles demonstraram que entenderam o conceito de divisão do trabalho na prática e sentiram na pele as limitações e os desafios desse modelo.

Enquanto os alunos trabalhavam, aproveitei para promover reflexões. Perguntei, por exemplo, como eles se sentiam repetindo a mesma tarefa por muito tempo, se achavam o processo eficiente e o que fariam para melhorar. 

Isso gerou discussões sobre produtividade, qualidade do trabalho e até mesmo sobre as condições dos trabalhadores nas fábricas do período da revolução industrial. Foi nesse momento que percebi como o aprendizado se tornou vivo e relevante.

Você concorda que uma atividade dessas depois da excursão aproxima o aluno da vida real?  

A grande sacada aqui é conectar a experiência da excursão com o cotidiano deles e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades práticas, como trabalho em equipe, planejamento e execução.

Se você está organizando uma excursão, não deixe de pensar em como estender o aprendizado para a sala de aula. A atividade posterior pode ser tão simples ou elaborada quanto o contexto permitir. 

O importante é que os alunos consigam fazer conexões entre o que aprenderam no passeio e a vida prática. 



Bom, deu para você perceber o quanto é positivo organizar uma excursão escolar desde o destino atrelado ao conteúdo, passando por um protocolo de segurança bem elaborado e como desenvolver uma atividade pós passeio. 

Seguindo esse passos, você com certeza vai proporcionar uma experiência maravilhosa para os seus alunos. E se este texto te ajudou de alguma forma, peço que compartilhe-o com seus colegas.

Gratidão! 

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